Estudo : "Prinicipais Centros de Custos nas Rádios Associadas" (actualização 2013)
Oitenta por cento das rádios associadas assinalam quebra no desempenho económico e as rádios estão a diminuir custos em áreas chave da Organização como por exemplo os Recursos Humanos, são dois dos factos mais marcantes da realidades do mercado da Rádio em Portugal este ano
À semelhança do que aconteceu no passado ano de 2012, procedeu a Aric – Associação de Rádios de Inspiração Cristã no passado mês de Março, à recolha de dados para actualização dos indicadores e reconhecimento de tendências no “Estudo de Percepção sobre os Principais Grupos de Custos de Funcionamento das Rádios Associadas da Aric”.
Do resultado dessa recolha de dados e posterior compilação, comparação e análise foi possível apurar as seguintes conclusões que somos agora a enviar para Vosso conhecimento:
1. Entre o registo de 2012 e o momento em que tivemos acesso a estes resultados (Março de 2013), registou-se um aumento das rádios que apresentam quebra de actividade económica. O valor percentual das rádios com quebra de desempenho é agora percepcionado como sendo superior aos 80%, mais concretamente 81,58%. Este aumento foi sustentado à custa daquelas Estações que se apresentavam como “estáveis” em 2012 ou seja, que na ocasião eram cerca de 15%.
2. O ano de 2013, veio dificultar ainda mais a vida das Rádios. Se em 2012, mais de 60% dos inquiridos respondia que a quebra no seu desempenho económico se situava no intervalo compreendido entre os 20% e os 50%, neste ano de 2013, esse número irá baixar para 39,47%. Esta diminuição justifica-se muito à custa daqueles que agora registam quebras superiores aos 50% e que neste novo ano são representados por mais de 20% das respostas. Atente-se no facto de o número de decréscimo de uma opção ser aproximadamente similar ao valor de crescimento da outra. Assim, o número de Rádios com decréscimo no segmento de quebra de negócios entre 20% e 50% é de 21,06%, enquanto que o aumento de rádios que declaram ter quebras superiores a 50% situa-se nos 21,05%. Estamos em crer ter havido assim, uma transferência de ocorrências de uma opção de resposta para a outra.
Por seu turno também se regista um aumento daqueles que declaram registar quebra abaixo dos 20%. Estamos em crer que este facto se deve a dois factores. O primeiro: neste ano de 2013, a amostra sofreu alterações no respeitante à sua composição e segundo: socorrendo-nos do Quadro Comparado, verificamos que diminui o número de respostas “não aplicável”, aumentando por este motivo o número de respostas validadas para esta questão.
3.De 2012 para 2013, foi declarado pelos inquiridos que aumentou o número de rádios cumpridoras com os seus compromissos financeiros atempadamente para com os fornecedores. O aumento registado é de cerca 7,8%. Se já no anterior inquérito este indicador tinha atingido 63,16%, valor que poderia indiciar um bom desempenho, agora, este ultrapassa efectivamente os 70%. Independentemente de se considerar que as Rádios Associadas da Aric são boas pagadoras, este fenómeno aparentemente contraditório com o ciclo económico actual poderá ter várias explicações.
Entre elas gostaríamos de dar relevância muito especial a:
a) A política de cobranças dos fornecedores está a ser mais agressiva e está a gerar melhores resultados. As rádios até por aqui estão a ficar descapitalizadas;
b) As rádios estão a utilizar fontes de financiamento alternativas àquelas que tradicionalmente tem até agora utilizado, como forma de obter liquidez. Poderão estar neste caso, o recurso a capitais de Sócios, Cooperantes ou Accionistas; o recurso a financiamento bancário, a libertação de recursos por redução de outros centros de custos (abdicar dos serviços de Recursos Humanos, com vista a libertar recursos necessários para assegurar o fornecimento de energia por exemplo) ou ainda a realização/descoberta de outras fontes geradoras de recursos (realização de galas, festas, bailes, sessões de fados jantares de convívio, quermesses, campanhas de donativos, linhas de valor acrescentado etc);
c) As rádios, através de políticas de redução de custos, tem conseguido renegociar contratos de consumos para valores mais vantajosos (caso de renegociação de contratos para energia, telecomunicações, realização de permutas comerciais etc). Estes instrumentos podem proporcionar uma nova “fonte” de recursos financeiros às rádios;
4. No curto período em que medeia as duas vagas de recenseamento de valores, o número relativa das rádios que registam clientes que não respeitam o prazo de pagamento de facturas aumentou 7,9%. Ou seja, as Rádios estão permanentemente a financiar os negócios dos seus Clientes. Mais uma vez chama-mos a atenção para a semelhança entre os números registados de subida e descida. Mesmo com a difícil conjuntura económica em que vivemos, este indicador pode indiciar igualmente que as políticas de cobrança das Rádios, aparentemente e ao contrário dos modos de proceder similares dos seus fornecedores, não estão a funcionar ou a atingir a eficácia desejável. Deixamos ainda uma última observação sobre este aspecto para Vossa reflexão: Será possível ou razoável imaginar rádios que na eminencia de serem obrigadas a dispensar pessoal, se vejam tentadas a dispensar recursos humanos da área administrativa, apesar destes serem elementos preponderantes para tentar e conseguir a cobrança atempada de compromissos aos Clientes?
5. As Rádios associadas da Aric, em 2013, estão a enfrentar uma grande modificação em termos de estrutura tipo, dos seus Centros de Custo. O peso dos “Outros Custos Operacionais”, relativamente aos “Custos Totais” registaram um aumento superior aos 13%. Por seu turno o ainda principal centro de custos declarado pelo sector, os “Custos com Pessoal”, registam uma quebra superior a 10,5%. Um comentário adicional: “a principal forma de diminuir custos com pessoal é abdicando dos serviços dos colaboradores”.
Já iremos mais adiante conformar isso mesmo.
Os custos financeiros, continuam a perder importância relativa, ou seja o não recurso a capitais alheios poderá ser uma opção ou uma imposição da actual conjuntura económica.
6. A necessidade ou a previsão de não puder cumprir os compromissos com os funcionários nos prazos considerados com habituais, mantem-se inalterada neste ano de 2013. A ordem de valores oscila entre os quase 45% que consideram que a rádio já teve necessidade ou prevê ter necessidade de não cumprir e os 47,3% que refere que não está a ponderar tal hipótese. Gostaríamos aqui de destacar um pequeno detalhe: a ordem de valores.
Observando mais atentamente este aspecto, pode levar-nos a considerar expectável que o clima de trabalho vivido em cada Organização, possa essencialmente ser caracterizado como de muita incerteza perante o futuro.
Perante isto, resta-nos acrescentar que suspeitamos que com certeza uma situação desta natureza não facilitará o desempenho profissional individual de cada um para com o colectivo.
7. Questionados os responsáveis das Rádios quando à possibilidade de dispensar pessoal ligado à Organização, este ano de 2013 esta a revelar-se difícil. Como dado importante para esta conclusão está um aumento de 23,68% de ocorrências para a opção de ”já dispensou ou está a prever dispensar pessoal”. Recorde-se as suspeitas formuladas anteriormente no ponto 6. desta secção. Por oposição, os inquiridos que negavam esta opção e que significavam em 2012, 50% das respostas, diminuíram mais de 10%. Em termos de quantificação de efectivos se em 2012, já se prespectivavam valores para reduções de colaboradores, na ordem dos 24 trabalhadores, agora esse valor ascende a 45 pessoas, ou seja, quase duplica.
8. Desde Maio de 2012 até Março 2013, as Rádios inquiridas já contam com uma equipa de colaboradores reduzida em 10 pessoas, todas elas com vínculo á Organização. Estas pessoas quer usufruam do estatuto de pertencer ao quadro de pessoal ou que tenham qualquer usufruído de outra qualquer situação, tinham algo em comum; todas elas auferiam remunerações pagas pelas Rádios.
9. Durante o mesmo período as Rádios apesar de perderem colaboradores remunerados, ganham colaborações que não auferem qualquer retribuição. Ou seja o “voluntariado” ganhou setenta novos elementos, e ascende agora às 497 pessoas.
10. Um dado curioso: considerando os dados anteriores para efectuar cálculos, em 2013, em média cada rádio conta com um efectivo de treze elementos de entre pessoal remunerado e outros colaboradores.
11. Considerando um raciocínio realizado por ocasião do recenseamento inicial de dados em 2012, notou-se que entre funcionários com vínculo laboral e colaboradores sem vínculo, apenas 34,19% das pessoas pertencem à Organização, ou seja 146 funcionários para um universo de 427 pessoas ligadas à Rádio (2012).
Em 2013, este valor desce para 27,36% ou seja, registam-se 136 funcionários num universo de 497 pessoas que estão ligadas de alguma forma à rádio e contribuem para o seu regular funcionamento.
12. Finalmente, tanto o peso relativo dos custos com Energia como o peso relativo dos Custos com Telecomunicações aumentaram ligeiramente e atingem os valores de 18% e 14% respectivamente.
É nossa percepção e segundo informações obtidas junto das rádios, este aumento, não terá muito forçosamente a ver com o aumento do consumo, mas ocorrerá um pouco mais por via de dois factores a saber:
a) Diminuição do peso dos “Custos com Pessoal”, (por via de despedimentos por exemplo), com o consequente aumento dos “Outros Custos Operacionais”, sem os quais a rádio não sobrevive como é o caso da Energia e/ou Telecomunicações.
b) Possível aumento dos preços da Energia. O caso das telecomunicações já não será tão verosímil seguir este raciocínio, já que muitos dos inquiridos nos confessaram terem renegociado contratos com as operadoras de telecomunicações, com vista a obter condições mais vantajosas.
Logo no caso das telecomunicações as conclusões da nossa análise recaem preponderantemente na escolha assinalada na alínea anterior.