Principais Centros de Custo no Funcionamento das Rádios: Conclusões do EstudoPartilhar
Para Conhecer, Reflectir e Agir
Aqui deixamos alguns resultados do "Estudo de Percepção sobre os Píncipais Centros de Custo de Funcionamento das Rádios Associadas da Aric"
Muitas são as vozes alertando para as dificuldades do sector da Rádio, mas escassos são os dados divulgados que as sustentam. Para além da percepção dos agentes que mais directamente estão ligados ao sector e alguma informação de conjuntura sobre os media em geral, a rádio mais uma vez, não se tem mostrado ao grande público. Foi com base neste cenário que a Aric – Associação de Rádios de Inspiração Cristã, resolveu inquirir os seus Associados, sobre o que de facto, está a acontecer no sector onde todos parecem mover-se com dificuldades. Assim, de um pequeno inquérito telefónico com onze questões, realizado no passado mês de Maio a uma amostra de trinte e sete estações, conseguiu-se apurar a seguinte informação:
a)78% das rádios inquiridas assinalaram uma quebra no desempenho económico, neste ano de 2012;
b)A quebra de actividade económica assinalada no corrente ano, segundo as respostas de 59,4% dos inquiridos situar-se-á entre os 20% e os 50%;
c)O mais importante centro de custos para as Rádios Associadas, foi assinalado por 70,2% dos inquiridos como sendo os “Custos Com Pessoal”. Seguem-se os “Outros Custos Operacionais” e finalmente os “Custos Financeiros”;
d)45,9% das rádios já teve necessidade ou prevê ter necessidade de não cumprir atempadamente os seus compromissos para com os colaboradores;
e)51% das rádios afirmam não ter tido necessidade de dispensar trabalhadores, mas quase 30% afirmam que sim;
f)Apesar de 72,9% dos clientes das Rádios não estarem a cumprir com os seus compromissos atempadamente, 62,1% das Rádios assinalam ainda conseguir cumprir os seus deveres para com os seus fornecedores;
g)As rádios para manterem o actual quadro de programação regular necessitam, mesmo sem a concretização de qualquer dispensa de pessoal, de duas vezes mais pessoas que os seus actuais efectivos. Esta ideia prende-se com o facto de se verificar que o peso dos “colaboradores” no total dos indivíduos ligados á rádio é estimado atingir os 66%;
h)O peso médio dos custos com a energia para as rádios locais é de aproximadamente 20%, enquanto que o custo com as telecomunicações representa cerca de 10% dos custos totais;
A carecer de um estudo mais aprofundado, ficam as questões:
1.Estão as Rádios Locais descapitalizadas?
2.Para as rádios as Origens de Fundos disponíveis, estando baseadas somente no mercado publicitário, comprometem seriamente a sobrevivência das Organizações?
3.O risco de dispensa de funcionários e/ou colaboradores irá colocar em causa a qualidade das programações?
4.É útil ou é viável a criação de uma linha de financiamento para as Rádios em maiores dificuldades, como forma de contribuir para a defesa da preservação do pluralismo e da riqueza da informação?
5.Poderão essas linhas de financiamento ser criadas, e de acesso nos mesmos moldes, que as existentes medidas de incentivo à modernização?
Com o objectivo de contribuir para a concretização de um ponto de partida no estudo desta área, este Inquérito foi construído também com a intenção de facilitar informação à Tutela do sector. Como tal, o resultado deste Estudo foi apresentado no passado dia 19 de Setembro, ao Sr. Chefe de Gabinete do Sr. Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.